Céu branco. Foi o que sobrou das minhas súplicas. A aspereza de uma nuvem cinza, caída nas manhãs de sol cálido. Buquê de rosas vermelhas. Vermelho sangue em tuas linhas escritas no cartão. Já estudei teu horóscopo caminhando pela Av: Paulista. Tomei água com gás e refiz todos os ensaios programados para nosso último espetáculo.
Esqueci meus risos em alguma loja de conveniência. A pressa impregnada em cada vão do meu peito caminha em círculos. Não menciono meu nome quando o celular vibra. Destaco minha ironia e finjo não ouvir. Eu já disse bilhões de vezes que não sou uma pessoa fácil de lidar. Você não entendeu todos os meus sinais. Resolvi fazer yoga, pilates e transport. Tá tudo bem com minha saúde, ando malhando até os neurônios, só pra ver se ainda posso sentir algo nessa minha pele de gato com sete vidas.
Já te falei dos calos que minha alma coleciona. Já desprezei meu próprio sono pra te seguir, já plantei amoras em solo infértil Já treinei a felicidade, visando teu sucesso. Já destrocei meus pedaços pra juntar com os teus. Agora não me prenda em tua bola de cristal. Meu caminho já está torto demais pra ser vigiado por tuas insonias. Me deseja sorte, meu bem. Amanhã vou acordar cedo catar as lamentações que ficaram debaixo do tapete da sala e lavá-las em água corrente. O Céu oco de Sampa me presenteia com lindos dias cinza, embalados de uma certa melancolia azeda, mas conforme já disse ainda sobra tempo para minhas poucas alegrias.
Achei tão bonito de sua parte me presentear com essas lindas rosas. Agora me dá licença amor.
Tem uma alma que pede pra sonhar aqui dentro. Devo soltá-la em meu travesseiro. Esse nosso esquema de bye, bye não cola. Deixei ligada a secretária eletrônica, se quiser, mande um recado. Prometo ouvi-lo duzentas vezes, num sábado qualquer. Nesses dias que o sol esquenta versos em fogueiras de sonhos. Deixe-me queimar na brasa da minha impaciência. O mundo é vasto. Me cerco de ventos deixados por antigos outonos. A primavera se estreita no caminho. O verão bate na porta e sabe que nunca vou atendê-lo. Stand by meu bem. Vista-se e incorpore tua lei.
É quase... Natal
Vou levantar agora dessa poltrona de couro preta, lavar as mãos com sabonete de erva-doce e deixar que o aroma insira alguns gestos delicados em minha mente suja e indolor. Vou bordar meus pedidos em uma toalha de tule e te mandar por sedex. Já não sei o teu endereço e te busco na agenda antiga, seus sapatos estilo vintage ainda estão cravados no meio da minha sala bagunçada. Eu que já fui terna, calada, poeira esfarelada de sonhos e lampejos. Deixo que essa imagem se desfaça em uma moldura de vento e me leve pra perto de sentir tudo de novo.
Parece frio, mas a quentura de pensamentos esconde essa calma que um dia já foi exagerada. Papai Noel pediu que jamais deixasse algum resquício de ressentimentos. Um dia quando criança eu fiz uma linda carta, cortei capim, deixei água para as lindas renas que o acompanhavam. Esperei de olhos fechados. Fiz uma lágrima com giz de cera na carta. E ela se fez invisível. Os presentes deixados debaixo da cama eram sempre os melhores, os mais bonitos. E o carinho teu me era tão grande. Prometi não deixar minha curiosidade de bandeja, escondia meu rostinho de menina que sonha embaixo do travesseiro e vi que o Homem/Noel era papai. Gritei baixinho - puxa que sensação estranha. Papai alto - magrelo, cabelos castanhos e nada, nada de barba branca, nem um fio sequer.
Naquela manhã eu sabia, quietinha tomei entre as minhas mãos um pouco de leite com Nescau. Fiz um bigodinho acima dos lábios e mostrei um sorriso imenso quando Papai me perguntou sobre os presentes deixados pelo Noel. Sorri despretenciosa. A graça era tamanha. Ele não sabia.
Mas eu tinha agora nas pequenas mãos de anjo, um retrato tão mais bonito, era papai que me ensinava com aqueles olhos de mel, que toda a dor um dia passa, que os meus sorrisos eram de festa, coloridos e talhados pelo arco-íris dos sonhos. Me faço criança ainda, pois em teu rosto ainda pesco estrelas na noite de Natal. Deixo a grama molhada pra deitar as costas e procurar em algum cómodo o lindo laço do Natal.
Parece frio, mas a quentura de pensamentos esconde essa calma que um dia já foi exagerada. Papai Noel pediu que jamais deixasse algum resquício de ressentimentos. Um dia quando criança eu fiz uma linda carta, cortei capim, deixei água para as lindas renas que o acompanhavam. Esperei de olhos fechados. Fiz uma lágrima com giz de cera na carta. E ela se fez invisível. Os presentes deixados debaixo da cama eram sempre os melhores, os mais bonitos. E o carinho teu me era tão grande. Prometi não deixar minha curiosidade de bandeja, escondia meu rostinho de menina que sonha embaixo do travesseiro e vi que o Homem/Noel era papai. Gritei baixinho - puxa que sensação estranha. Papai alto - magrelo, cabelos castanhos e nada, nada de barba branca, nem um fio sequer.
Naquela manhã eu sabia, quietinha tomei entre as minhas mãos um pouco de leite com Nescau. Fiz um bigodinho acima dos lábios e mostrei um sorriso imenso quando Papai me perguntou sobre os presentes deixados pelo Noel. Sorri despretenciosa. A graça era tamanha. Ele não sabia.
Mas eu tinha agora nas pequenas mãos de anjo, um retrato tão mais bonito, era papai que me ensinava com aqueles olhos de mel, que toda a dor um dia passa, que os meus sorrisos eram de festa, coloridos e talhados pelo arco-íris dos sonhos. Me faço criança ainda, pois em teu rosto ainda pesco estrelas na noite de Natal. Deixo a grama molhada pra deitar as costas e procurar em algum cómodo o lindo laço do Natal.


