O silêncio anunciando uma certa angústia chegava a perturbar minha falta de sono, tocava com suas garras afiadas dentro do meu peito. O perfume dos seus cabelos tocavam de leve meus sentidos me fazendo ficar zonza.
Minha imaginação podia sentir você tão perto do meu coração e mesmo assim podia te levar para tão longe.
Relutando contra a vontade de ter você por perto, tentava apagar a insônia que me abraçava com golpes de espera e solidão.
A sua presença constante em meus delírios me deixavam acordada a noite toda, procurando em um pedaço de papel uma palavra certa para definir tamanha escuridão que me abrangia.
Num céu oco feito de nuvens escuras, as estrelas formavam seu nome e mostravam apenas uma direção.
A noite fria pincelava o desejo de estar ao seu lado pelo menos uma vez.
Te buscava apressada em sintonias exageradas, deixando que o volume do vento me impulsionasse para a vida.
As batidas do coração pareciam acompanhar os tiques-tacs do relógio, mostrando a lua em gravura minúscula em minha direção. Era o dia que cismava em aparecer bem antes do meu sono dissipar.
O seu perfume ainda marcava presença em meu olfato.
Assim como as palavras se perdiam em minha mente.
A primavera sorria lá fora e as borboletas coloriam o jardim.
Era dia, claro.
Eu podia sentir.
A noite se desfez e o sol reinou absoluto.
Os olhos que acendiam novamente, me deixavam em chamas.
A loucura que me tomava me queimava, me enlouquecia.
E a ilusão me tocava distante, fazendo cócegas em um futuro que não viria.
Devagar os olhos poderiam se abrir.
Novamente.
E distante de um amanhecer, talvez...
Pudessem ver de novo.
Faíscas de uma primavera.
Perdida entre risos e abraços.
Olhando para o tempo.
Debochando do amor.


