Das nossas histórias

Então, me diz que as letras que pousam em tuas mãos, não são estrelas de luz desse nosso abecedário desconexo de amor. Toca meu ombro sem pedir licença. Esmaga minhas canções tristes com teus olhos de veludo. Deixa que teus ombros se juntem aos meus. Agarra essa minha falta de coragem e me prende no seu abismo sem fim. Há precipícios em volta dos olhos. O corpo presente na alegria. A alma inquieta pulando silêncios. Metade de novembro desfolhando na canção triste da primavera. Nossos caminhos descritos nos olhos de um vento que sopra em direções contrárias. Sua respiração anda junto comigo. E nas flores do jardim ficaram gravadas nossas conversas. Planos de amor, juras semi- eternas. Achei aquele caderno velho, onde seu nome estava marcado junto ao meu. Encontrei lascas de uma lágrima antiga que secou.Teus passos ainda me perseguem e, na maioria das vezes, acho que ainda andas comigo. Te vejo do outro lado da rua. Na esquina do meu desespero. E caminhas sozinho. Enquanto teu peito ainda sente a frieza da minha pele congelando teus pensamentos. Os tropeços que sofri, foram calculados com classe. Sim, eu sabia que estava colocando meu pescoço na guilhotina quando deixei que você levasse meu coração. Essa tormenta me fez estilhaçar como vidro. Deixei cacos em um navio sem porto. Dos destroços só recuperei minha escrita. A secura dos olhos foi um presente triste que às vezes dói. Quando a chuva teima em molhar minhas pegadas insisto em recuperar algumas lágrimas. Roubo do céu migalhas de um sorriso de vento. Que vai migrando pelas páginas dessa nossa conversa. Desses rabiscos engraçados, de histórias que não sairam do papel. E nem da minha cabeça.

Deixa ser.

Não baby, nem vem com essa. A história é minha. Eu sei muito bem, que tudo não passou de uma distração de cílios. Tá tudo bem. Não se importe com o sangue que jorra dos meus joelhos. Nem com as lágrimas. É tudo tão sem sal que não arde.
É apenas charme moço. Entenda. Esse choro eu carrego sempre no rosto, escondido na risada frouxa, é disfarce, de coração bobo de menina grande. E fique tranquilo não vai ficar nenhuma cicatriz aqui e se ficar, eu escondo com base. Dá pra controlar a superficie da dor, mas não as suas mudanças.
A doce troca de olhares. A tentativa traiçoeira de viver no raso, ainda dificulta minha respiração. É lenta essa troca de identidade, é absurda, não existe regras. E por isso abro mão da felicidade. Porque é maior essa força que me empurra para o vazio. É nesse oco do peito que a falsa alegria faz moradia deserta.
Deixa meu peito sangrar, baby. Deixa sair aquilo que teima em ficar. Ando subornando lágrimas, congelando idéias e sacrificando meus silêncios. É tarde moço. Desliga sua voz, pausa teu ouvido no play da minha loucura e deixa ser.
Não posso criar essa dor, nem alimentá-la ao meu lado por tanto tempo. Mas a hora é de entrega, ainda tenho que sofrer. Insisto na miséria de sentimentos porque não estou pronta para abrir meu melhor sorriso, não hoje meu bem. Mesmo que teus passos reservem alguma esperança. Eu juro. Não quero segui-los. Já atirei pra longe todos os monstros que vieram junto com esse teu amor de faz de conta. Não dá pra tolerar sua compaixão, nem tua candura ao anoitecer. Isso foi ontem meu bem. Não preciso descobrir detalhes sobre tua forma de pensar. Acredito apenas na sua dupla personalidade, nessa tua busca por guerra. E todos esses tijolos amontoados sobre a minha cabeça, ainda são teus. Guardei um a um pra te mostrar o muro de solidão que construi com as tuas incansáveis guerrilhas emocionais. Tá vendo esse sangue espalhado no chão? Foi você que derramou. E essas pedras? Tá vendo! São tuas. Atiro em sua direção mas não acerto nenhuma, é isso vai ver que faço de propósito, quem ama não machuca, não mesmo.